terça-feira, dezembro 31
Mesmo parecendo um tanto deslocado, eu achei compreensível quando aquele clip do Belle & Sebastian, tocando no Free Jazz, começou a freqüentar os intervalos na programação do Sony. Afinal, de uns tempos para cá, os escoceses ganharam o epíteto de "banda fofa" e sei lá mais o quê. Mas agora o povo do canal pegou pesado. Entre um episódio e outro de "My Wife & Kids" e "Everybody Loves Raymond", é possível ver um clip do Lambchop (!!), algo que não acontece nem no Lado B. Assim vão acabar assustando a audiência, habituada a nulidades tipo Avril Lavigne e Aerosmith.
Ok, uma notinha no estilo consagrado pelo Ancelmo Góis:
Cena carioca
Domingo, início de madrugada. Uma viatura da Polícia Militar estaciona em frente a um hotel bastante popular entre as raparigas que circulam pela noite de Copacabana. Um policial fardado salta do veículo e, devidamente acompanhado de uma animada camundonga, adentra o estabelecimento. Enquanto isso, a população que se vire com a bandidagem à solta nas ruas.
Na minha terra, isso se chama... deixa para lá.
Cena carioca
Domingo, início de madrugada. Uma viatura da Polícia Militar estaciona em frente a um hotel bastante popular entre as raparigas que circulam pela noite de Copacabana. Um policial fardado salta do veículo e, devidamente acompanhado de uma animada camundonga, adentra o estabelecimento. Enquanto isso, a população que se vire com a bandidagem à solta nas ruas.
Na minha terra, isso se chama... deixa para lá.
quinta-feira, dezembro 26
No último dia 18, foi ao ar na BBC uma Peel Session especial de Natal com a participação do Belle and Sebastian. Se você tiver saco pra baixar um arquivo zipado de quase 70 MB, basta clicar aqui. A princípio, disponível só até 1º de Janeiro.
Tracklisting:
1. O Come, All Ye Faithful
2. Christmas Time Is Here (Vince Guaraldi cover)
3. Santa Claus (Sonics cover)
4. Step Into My Office, Baby
5. Jonathan David
6. Santa Claus Goes Straight to the Ghetto (James Brown cover)
7. Photo Jenny
8. Silent Night
9. O Little Town of Bethlehem
10. Santa, Bring My Baby Back to Me (Elvis Presley cover)
11. If You Find Yourself Caught In Love
12. The Boy With the Arab Strap
13. O Come, O Come, Emmanuel
14. Get Me Away from Here, I'm Dying
15. I Took Some Time for Christmas
16. The Twelve Days of Christmas
Tracklisting:
1. O Come, All Ye Faithful
2. Christmas Time Is Here (Vince Guaraldi cover)
3. Santa Claus (Sonics cover)
4. Step Into My Office, Baby
5. Jonathan David
6. Santa Claus Goes Straight to the Ghetto (James Brown cover)
7. Photo Jenny
8. Silent Night
9. O Little Town of Bethlehem
10. Santa, Bring My Baby Back to Me (Elvis Presley cover)
11. If You Find Yourself Caught In Love
12. The Boy With the Arab Strap
13. O Come, O Come, Emmanuel
14. Get Me Away from Here, I'm Dying
15. I Took Some Time for Christmas
16. The Twelve Days of Christmas
Um teste para a paciência. É assim que qualquer pessoa normal encara o desafio de caminhar pelas abarrotadas calçadas da Avenida Copacabana. E embora eu não seja o exemplo mais bem acabado de sanidade mental, comungo desse ponto de vista. Aquilo é uma selva a ser desbravada. Justamente por isso, é muito sentida a ausência daquele traquejado guia local – figurinha fácil nos filmes de Tarzan do Johnny Weissmuller - que abre caminho a golpes de facão: “A aldeia fica nessa direção, Bwana!”. O enxame de camelôs, munidos com traquitanas eletrônicas recém-chegadas da China (ingratidão com o querido Paraguai), exige de mim um jogo de pernas superior ao do onipresente Robinho (seguuura que eu quero ver!). Mas sempre há o risco de sair catando cavaco após colidir com aquele estande de CDs falsificados que bloqueia o passeio – o pior é que eu nem gosto dos Tribalistas. Cortesia, claro, desse simpático mascate pós-moderno, o camelô. Bem feito também, quem mandou não andar no meio dos carros? E é melhor eu nem qualificar aquelas criaturas que param para tagarelar no meio da calçada, ocupando-a como se estivessem na sala de estar de seus sacrossantos lares.
Dentre a fauna que movimenta esse trecho da conspurcada Princesinha do Mar, destaque para os inúmeros pedintes, cuja específica função social é me deixar com sentimento de culpa por ter gasto 15 reais num CD usado. Mas notei que falta à Av. Copacabana uma daquelas figuras folclóricas que marcam época (saudades do Éter). Que tal pedir emprestado o maluco da Barata Ribeiro? Seu terno ensebado e os altos papos que leva com o rádio pifado causariam sensação. E como eu poderia me esquecer daquele povo que distribui panfletos nas esquinas? Tem gente que os ignora solenemente, mas eu ainda não cheguei a esse estágio de sofisticação. Minha tática é evitar o contato visual a todo custo. Quando ela fracassa, só me resta aceitar a derrota e, com resignação, apanhar o bendito panfleto. Panfletos que, aliás, são sempre os mesmos. A começar pelo tradicional “Compro ouro e jóias”. Infelizmente eu não possuo nenhum dos dois, mas ando pensando em livrar-me de uns CDs que só pegam poeira na estante. Tem negócio? Outro panfleto campeão de audiência é o da Mãe Zulmira. Entre outras coisas, diz ela que “trás (sic) o seu amor de volta em poucos dias”. Pode ser um amor platônico? Seria a chance de buscar um final diferente... Bah! A quem estou querendo enganar? Eu acabaria afundando nos mesmos receios. Olha, vamos fazer o seguinte: que tal trazer de volta o meu amor próprio? O problema é que ele sumiu faz tempo, acho que nem bola de cristal dá jeito. Recentemente fui apresentado a um novo e surpreendente anunciante. Enquanto eu meditava sobre a morte da bezerra, um fulano, surgido do nada, introduziu (epa!) um panfleto em minha mão e comentou algo sobre uma lourinha. Ao lê-lo, fui informado de que gatas incríveis estavam a postos para me proporcionar momentos de imenso prazer. Bastava telefonar para a Alessandra no número em destaque. Claro que eu já ouvira falar nessa nova e revolucionária estratégia de divulgação, mas mesmo assim... Em plena luz do dia? A que ponto chegou o nosso despudor. Entretanto, eu deveria saber que esta é a terra onde tudo é permitido. Foi-se o tempo em que esse tipo de serviço era oferecido somente nas páginas de classificados sob o eufemismo de “massagem”.
Mas se, durante suas andanças, o que você mais quer é abstrair-se do ambiente que lhe cerca, sugiro um jogo de minha lavra. É bastante simples. Basta ficar atento à pessoa que caminha a sua frente. Quando ela apanhar um panfleto, aposte mentalmente se ela irá ou não atirá-lo ao chão. Eu garanto, você se divertirá como nunca antes em sua vida. Mas atenção, este é um jogo que exige muita agilidade na avaliação do caráter alheio. Por isso, não é aconselhado aos diletantes.
Dentre a fauna que movimenta esse trecho da conspurcada Princesinha do Mar, destaque para os inúmeros pedintes, cuja específica função social é me deixar com sentimento de culpa por ter gasto 15 reais num CD usado. Mas notei que falta à Av. Copacabana uma daquelas figuras folclóricas que marcam época (saudades do Éter). Que tal pedir emprestado o maluco da Barata Ribeiro? Seu terno ensebado e os altos papos que leva com o rádio pifado causariam sensação. E como eu poderia me esquecer daquele povo que distribui panfletos nas esquinas? Tem gente que os ignora solenemente, mas eu ainda não cheguei a esse estágio de sofisticação. Minha tática é evitar o contato visual a todo custo. Quando ela fracassa, só me resta aceitar a derrota e, com resignação, apanhar o bendito panfleto. Panfletos que, aliás, são sempre os mesmos. A começar pelo tradicional “Compro ouro e jóias”. Infelizmente eu não possuo nenhum dos dois, mas ando pensando em livrar-me de uns CDs que só pegam poeira na estante. Tem negócio? Outro panfleto campeão de audiência é o da Mãe Zulmira. Entre outras coisas, diz ela que “trás (sic) o seu amor de volta em poucos dias”. Pode ser um amor platônico? Seria a chance de buscar um final diferente... Bah! A quem estou querendo enganar? Eu acabaria afundando nos mesmos receios. Olha, vamos fazer o seguinte: que tal trazer de volta o meu amor próprio? O problema é que ele sumiu faz tempo, acho que nem bola de cristal dá jeito. Recentemente fui apresentado a um novo e surpreendente anunciante. Enquanto eu meditava sobre a morte da bezerra, um fulano, surgido do nada, introduziu (epa!) um panfleto em minha mão e comentou algo sobre uma lourinha. Ao lê-lo, fui informado de que gatas incríveis estavam a postos para me proporcionar momentos de imenso prazer. Bastava telefonar para a Alessandra no número em destaque. Claro que eu já ouvira falar nessa nova e revolucionária estratégia de divulgação, mas mesmo assim... Em plena luz do dia? A que ponto chegou o nosso despudor. Entretanto, eu deveria saber que esta é a terra onde tudo é permitido. Foi-se o tempo em que esse tipo de serviço era oferecido somente nas páginas de classificados sob o eufemismo de “massagem”.
Mas se, durante suas andanças, o que você mais quer é abstrair-se do ambiente que lhe cerca, sugiro um jogo de minha lavra. É bastante simples. Basta ficar atento à pessoa que caminha a sua frente. Quando ela apanhar um panfleto, aposte mentalmente se ela irá ou não atirá-lo ao chão. Eu garanto, você se divertirá como nunca antes em sua vida. Mas atenção, este é um jogo que exige muita agilidade na avaliação do caráter alheio. Por isso, não é aconselhado aos diletantes.
domingo, dezembro 22
Tô pensando num jeito de iniciar este post mas tá difícil, a preguiça mental é enorme. Ah, no final das contas isso não tem muita importância, só quero comentar rapidamente os CDs que eu comprei nas últimas semanas.
Stephen Malkmus/Stephen Malkmus - Escutei muito pouco, não consigo avaliar direito. Mas parece um Terror Twilight menos inspirado.
Delgados/Peloton - Tô ficando velho, prefiro os momentos folk àqueles repletos de guitarras distorcidas. E Pull the wires from the wall continua uma baita música legal.
Lush/Best of - Outro que eu ainda preciso ouvir direito, limitei-me às canções mais conhecidas. Mas adorei o dueto entre o Jarvis Cocker e a Miki Berenyi em Ciao!, a letra é divertidíssima.
Belle & Sebastian/Storytelling - Tem duas faixas instrumentais muito boas, Fiction e Fuck this shit, o resto vai do razoável ao fraco. No álbum anterior a Sarah Martin compôs a ótima Waiting for the moon to rise, mas dessa vez ela errou a mão. Sua música-título é decepcionante, melodia esquecível e letra pra lá de boba. Ainda vão sentir falta da Isobel.
Mojave 3/Excuses for travellers - Disparado o melhor disco, botei pra tocar direto. Quando um estribilho ao piano foi seguido pelos lamentos do pedal steel, inaugurando a primeira faixa, eu já estava fisgado. Disse e repito: tô ficando velho, só folk e alt-country me animam.
Stephen Malkmus/Stephen Malkmus - Escutei muito pouco, não consigo avaliar direito. Mas parece um Terror Twilight menos inspirado.
Delgados/Peloton - Tô ficando velho, prefiro os momentos folk àqueles repletos de guitarras distorcidas. E Pull the wires from the wall continua uma baita música legal.
Lush/Best of - Outro que eu ainda preciso ouvir direito, limitei-me às canções mais conhecidas. Mas adorei o dueto entre o Jarvis Cocker e a Miki Berenyi em Ciao!, a letra é divertidíssima.
Belle & Sebastian/Storytelling - Tem duas faixas instrumentais muito boas, Fiction e Fuck this shit, o resto vai do razoável ao fraco. No álbum anterior a Sarah Martin compôs a ótima Waiting for the moon to rise, mas dessa vez ela errou a mão. Sua música-título é decepcionante, melodia esquecível e letra pra lá de boba. Ainda vão sentir falta da Isobel.
Mojave 3/Excuses for travellers - Disparado o melhor disco, botei pra tocar direto. Quando um estribilho ao piano foi seguido pelos lamentos do pedal steel, inaugurando a primeira faixa, eu já estava fisgado. Disse e repito: tô ficando velho, só folk e alt-country me animam.
sexta-feira, dezembro 20
Continuando... É verdade que sou fanático por 'Casablanca' - já dei pistas nesse sentido - mas os desencontros amorosos de Rick e Ilsa têm outro tipo de clima, não acho que combine com o Natal. 'Cinema Paradiso', por sua vez, cai bem. Aumenta a sensação de melancolia que a data costuma despertar (o tema de amor composto pelo filho do Ennio Morricone também tem culpa no cartório). Tenho curiosidade em assistir a versão integral do filme, sempre quis saber o que aconteceu com a Elena. Para rebater a tristeza, é só assistir 'Cantando na chuva' em seguida. 'O mágico de Oz' também é legal, a Globo costuma passar de madrugada. Acho que a lista tá de bom tamanho.
Assisti, outro dia, um documentário sobre o Sergio Leone no People + Arts. Foi dado bastante destaque a 'Era uma vez no Oeste' e trechos de algumas das minhas cenas favoritas foram exibidos: a famosa sequência de abertura, onde Leone abusa do habitual estilo grandiloqüente; a chegada de Claudia Cardinale na estação de trem, com a câmera erguendo-se para mostrar a cidade que nasce logo adiante; a família de fazendeiros sendo chacinada por Henry Fonda, cujo personagem, Frank, é mau como um pica-pau; o duelo final entre o "homem da harmônica" e Frank em que, paralelamente, um flashback revela a origem da rixa. Filmaço.
Assisti, outro dia, um documentário sobre o Sergio Leone no People + Arts. Foi dado bastante destaque a 'Era uma vez no Oeste' e trechos de algumas das minhas cenas favoritas foram exibidos: a famosa sequência de abertura, onde Leone abusa do habitual estilo grandiloqüente; a chegada de Claudia Cardinale na estação de trem, com a câmera erguendo-se para mostrar a cidade que nasce logo adiante; a família de fazendeiros sendo chacinada por Henry Fonda, cujo personagem, Frank, é mau como um pica-pau; o duelo final entre o "homem da harmônica" e Frank em que, paralelamente, um flashback revela a origem da rixa. Filmaço.
domingo, dezembro 15
Sabe que eu sinto uma certa culpa quando passo muitos dias sem escrever por aqui? Pois é, acontece. Mesmo sabendo que não tenho nenhuma obrigação nesse sentido. Esquisitices de um tipo meio neurótico.
Ontem descobri um fato inusitado, ainda estou boquiaberto. Nunca imaginei que pudesse existir uma cidade com o originalíssimo nome de Varre-Sai. É verdade, fica no estado do Rio. Estou dando tratos à bola para adivinhar como são chamados os naturais da pitoresca (pelo menos no nome) Varre-Sai. Até agora, meu melhor palpite é poeira.
Declinei do chamado para o tradicional e inevitável Natal em família, vou ficar jogado às traças por aqui mesmo. Eu sempre viajo na expectativa de viver algo especial, quase esperando uma revelação que dará sentido à vida (não liguem, sou meio pancada das idéias). Mas no final é sempre a mesma história, uma chatice inominável e eu andando pelos cantos, completamente entediado. Este ano, tô fora. Por isso, comecei a pensar em alguns filmes apropriados para ver nesta época. 'A felicidade não se compra' aparece logo de cara, já virou obsessão. Não importa quantas vezes eu assista, sempre escorre uma lágrima furtiva durante o final catártico: todos os habitantes de Bedford Falls que foram ajudados por George Bailey no passado, aparecem para doar suas economias e salvá-lo da falência e prisão. Do nada, surge a velha edição de Tom Sawyer, pertencente a Clarence, com a dedicatória "Nenhum homem é um fracasso quando tem amigos"; o toque de um sino confirma que ele finalmente ganhou suas asas, enquanto todos entoam Auld Lang Syne. Pena que, ao contrário de outros anos, o Telecine não vai exibir 'De ilusão também se vive'. Natalie Wood, ainda nos tempos de atriz mirim, está adorável como a garotinha racional que não acredita em Papai Noel. Depois eu continuo a lista.
Ontem descobri um fato inusitado, ainda estou boquiaberto. Nunca imaginei que pudesse existir uma cidade com o originalíssimo nome de Varre-Sai. É verdade, fica no estado do Rio. Estou dando tratos à bola para adivinhar como são chamados os naturais da pitoresca (pelo menos no nome) Varre-Sai. Até agora, meu melhor palpite é poeira.
Declinei do chamado para o tradicional e inevitável Natal em família, vou ficar jogado às traças por aqui mesmo. Eu sempre viajo na expectativa de viver algo especial, quase esperando uma revelação que dará sentido à vida (não liguem, sou meio pancada das idéias). Mas no final é sempre a mesma história, uma chatice inominável e eu andando pelos cantos, completamente entediado. Este ano, tô fora. Por isso, comecei a pensar em alguns filmes apropriados para ver nesta época. 'A felicidade não se compra' aparece logo de cara, já virou obsessão. Não importa quantas vezes eu assista, sempre escorre uma lágrima furtiva durante o final catártico: todos os habitantes de Bedford Falls que foram ajudados por George Bailey no passado, aparecem para doar suas economias e salvá-lo da falência e prisão. Do nada, surge a velha edição de Tom Sawyer, pertencente a Clarence, com a dedicatória "Nenhum homem é um fracasso quando tem amigos"; o toque de um sino confirma que ele finalmente ganhou suas asas, enquanto todos entoam Auld Lang Syne. Pena que, ao contrário de outros anos, o Telecine não vai exibir 'De ilusão também se vive'. Natalie Wood, ainda nos tempos de atriz mirim, está adorável como a garotinha racional que não acredita em Papai Noel. Depois eu continuo a lista.
quarta-feira, dezembro 11
Já passou da hora de reciclar mais um daqueles textos empoeirados e cheios de mofo. Além do tema ser adequado a esta época do ano, a motivação para escrever algo novo é nenhuma.

Cuidado! O final de ano se aproxima e ao seu lado pode estar algum infeliz querendo propor a realização de um amigo oculto. Os chatos de plantão acham divertidíssimo, mas os indivíduos dotados de bom senso reconhecem que essa prática, aparentemente inofensiva, pode motivar traumas irreversíveis.
Minha triste experiência com tão peculiar modo de trocar presentes iniciou-se ainda nos tempos de primário. Mal a folhinha de Novembro era arrancada, a “tia” realizava o sorteio dos papeluchos contendo os nomes e distribuía a indefectível circular solicitando que os alunos levassem um pratinho de doces ou salgados para a festa de conclusão do ano letivo. Eu ficava doente só de pensar em participar (sempre fui neurótico), mas o boletim só seria entregue durante o evento, portanto não tinha escapatória. Chegado o Dia D, a tortura era sempre a mesma:
a) as professoras selecionavam os melhores acepipes para sua festinha particular, nos deixando com a gororoba;
b) a humilhação suprema, ficar no centro de um círculo humano dando pistas sobre quem era o meu amigo oculto;
c) sempre dar bons presentes (geralmente jogos de tabuleiro) e ganhar as maiores porcarias (um quebra-cabeça foi a exceção que confirmou a regra). Tinha gente que perdia as estribeiras e soltava os bichos para cima do colega avarento, pelo menos eu conseguia manter o sorriso amarelo (que consolo).
Um desses festejos foi memorável, até hoje tenho uma cristalina lembrança. Me atrapalhei com o horário e acabei chegando bastante atrasado à escola. O garoto que eu tinha tirado já estava aos prantos, inconsolável pelo fato de seu amigo oculto ter faltado. Após os devidos esclarecimentos, ele recebeu o presente a que tinha direito e repassou o que estava originalmente destinado a mim (de uma menina que havia me tirado). Foi aí que compreendi o desespero do moleque... também tive vontade de chorar ao ver que estava sendo mimoseado com uma caixa contendo três pares de meias (daquelas bem ordinárias). Só não sucumbi às lágrimas porque já tinha o casco endurecido por decepções anteriores. Pois é, ainda estão para inventar algo que crie mais inimizades do que o tal de amigo oculto.

Cuidado! O final de ano se aproxima e ao seu lado pode estar algum infeliz querendo propor a realização de um amigo oculto. Os chatos de plantão acham divertidíssimo, mas os indivíduos dotados de bom senso reconhecem que essa prática, aparentemente inofensiva, pode motivar traumas irreversíveis.
Minha triste experiência com tão peculiar modo de trocar presentes iniciou-se ainda nos tempos de primário. Mal a folhinha de Novembro era arrancada, a “tia” realizava o sorteio dos papeluchos contendo os nomes e distribuía a indefectível circular solicitando que os alunos levassem um pratinho de doces ou salgados para a festa de conclusão do ano letivo. Eu ficava doente só de pensar em participar (sempre fui neurótico), mas o boletim só seria entregue durante o evento, portanto não tinha escapatória. Chegado o Dia D, a tortura era sempre a mesma:
a) as professoras selecionavam os melhores acepipes para sua festinha particular, nos deixando com a gororoba;
b) a humilhação suprema, ficar no centro de um círculo humano dando pistas sobre quem era o meu amigo oculto;
c) sempre dar bons presentes (geralmente jogos de tabuleiro) e ganhar as maiores porcarias (um quebra-cabeça foi a exceção que confirmou a regra). Tinha gente que perdia as estribeiras e soltava os bichos para cima do colega avarento, pelo menos eu conseguia manter o sorriso amarelo (que consolo).
Um desses festejos foi memorável, até hoje tenho uma cristalina lembrança. Me atrapalhei com o horário e acabei chegando bastante atrasado à escola. O garoto que eu tinha tirado já estava aos prantos, inconsolável pelo fato de seu amigo oculto ter faltado. Após os devidos esclarecimentos, ele recebeu o presente a que tinha direito e repassou o que estava originalmente destinado a mim (de uma menina que havia me tirado). Foi aí que compreendi o desespero do moleque... também tive vontade de chorar ao ver que estava sendo mimoseado com uma caixa contendo três pares de meias (daquelas bem ordinárias). Só não sucumbi às lágrimas porque já tinha o casco endurecido por decepções anteriores. Pois é, ainda estão para inventar algo que crie mais inimizades do que o tal de amigo oculto.
domingo, dezembro 8
Não chega a ser insônia mas estou sem vontade de ir dormir. Aliás, estou sem vontade de fazer qualquer coisa. Acordei meio apático hoje (só hoje?). Há pouco pensei em assistir um filme qualquer do John Ford ou mesmo 'Os brutos também amam' (esse é do George Stevens), serviria como distração. Mas quando o filme terminar já vai estar quase amanhecendo, melhor esquecer a idéia. Tive, então, a súbita inspiração de ficar escrevendo por aqui até o sono chegar. Meu blog não tem nenhum compromisso com a qualidade mesmo. Portanto, se você ainda está lendo esta bobajada sem nexo, trate de arrumar coisa melhor pra fazer. De tarde, enquanto eu aguardava o horário de pulso único pra entrar na internet, botei o Abbey Road pra tocar. Fiquei com esse refrão na cabeça: I'd like to be under the sea in an octopus' garden in the shade. Sei lá, existe um certo charme bizarro no jeito desajeitado com que o Ringo canta. Tem gente que odeia, mas eu até que gosto dessas musiquinhas country cujos vocais sobraram pra ele. Também tem aquela no Rubber Soul, como é que chama? Lembrei! What goes on! Essa é muito boa, os acordes de guitarra são incrivelmente mal tocados. Só pode ter sido proposital. Também tem uma no White Album, mas o nome dessa não vou lembrar nem a pau. Não esquecendo que o Ringo também foi o responsável pelos vocais em Yellow submarine (argh!) e With a little help from my friends. Em You never give me your money também foi ele? Ou foi o Paul McCartney fazendo uma imitação? Acho que li algo a respeito uma vez... ou então estou maluco, o que é mais provável. Tô começando a ficar com sono. Tchau.
sexta-feira, dezembro 6
Ontem perdi um naco de pele da palma da mão direita ao usá-la como apoio após perder o equilíbrio. Depois da enrolação habitual, dei o braço a torcer e resolvi tratar a ferida com Merthiolate - coisa que eu não fazia desde os tempos de criança estabanada. Logo comecei a alimentar uma certa expectativa pelo momento em que meu machucado queimaria como fogo. Afinal, reviver tal sensação poderia desencadear uma sequência de lembranças e me levar a escrever um marco da literatura existencialista. Nostálgico, lembrei-me dos joelhos esfolados tratados com Merthiolate vermelho, aquele que deixava o ferimento com uma aparência ainda mais dantesca. Para o experimento ficar completo só faltei pedir para alguém assoprar minha mão após a aplicação da tintura. Mas quando o tão aguardado momento se concretiza, vem a frustração: esse Merthiolate com nova fórmula é um lixo, não faz nem cócega. Não arde mas também não cura, continuo com esse buraco purulento na mão. O jeito é procurar um remédio que não tenha se rendido à frescura generalizada dos dias atuais.
quinta-feira, dezembro 5
Taí, escolhida pelos leitores da Q, a lista com os 100 melhores discos de todos os tempos. Diante de tamanho descalabro, resta o consolo de saber que a massa consumidora de música na ilha não difere muito da nossa, ambas têm um mau gosto desgraçado. Nirvana em primeiro?! Gimme a break!
100. Flaming lips – Soft bulletin
99. Beach Boys - Pet sounds
98. AC/DC – Back in black
97. Aretha Franklin – Never loved a man…
96. Ash – Free all angels
95. Portishead – Dummy
94. Outkast – Stankonia
93. Beck – Odelay
92. Air - Moon safari
91. Sly & the Family Stone - There’s a riot going on
90. Soundgarden – Superunknown
89. Ryan Adams – Gold
88. James Brown – Live at the Apollo
87. The Doors – The Doors
86. Foo Fighters – The colour and the shape
85. Wu Tang Clan – Enter the Wu Tang
84. Lou Reed – Transformer
83. Metallica – Metallica
82. DJ Shadow – Endtroducing
81. Elvis Presley – Elvis Presley
80. Stereophonics – Word gets around
79. Depeche Mode – Violator
78. Linkin Park – Hybrid theory
77. TLC – Crazysexycool
76. Spiritualised – Ladies and gentlemen…
75. Badly Drawn Boy – Hour of bewilderbeast
74. Ramones – Ramones
73. Michael Jackson – Thriller
72. Prodigy – Fat of the land
71. Bob Marley & the Wailers – Exodus
70. The Vines – Highly evolved
69. Alicia keys – Songs in A minor
68. The Who – Who’s next
67. Chemical Bros – Dig your own hole
66. Neil Young – Rust never sleeps
65. Specials – Specials
64. Rolling Stones - Let it bleed
63. Red Hot Chilli Peppers – By the way
62. Bruce Springsteen – Born to run
61. Jimi Hendrix – Electric ladyland
60. Joy Division – Closer
59. NWA – Straight outa compton
58. Blur – Parklife
57. Moby – Play
56. Massive Attack – Blue lines
55. David Bowie – Hunky Dory
54. Velvet Underground & Nico - Velvet Underground & Nico
53. Alanis Morissette – Jagged little pill
52. The Stooges – Raw power
51. Kate Bush – Hounds of love
50. Manic Street Preachers – Everything must go
49. Pink Floyd - The wall
48. Fleetwood Mac - Rumours
47. Coldplay - A rush of blood to the head
46. Eminem - Slim Shady LP
45. The Beatles - The white album
44. Rage Against The Machine - RATM
43. Beastie Boys - Ill Communication
42. Pearl Jam - 10
41. Led Zeppelin - Physical graffiti
40. Bob Dylan - Blood on the tracks
39. The Verve - Urban hymns
38. PJ Harvey - Stories from the city, stories from the sea
37. Prince - Sign o the times
36. Marvin Gaye - What's going on
35. Radiohead - Kid A
34. Pixies - Doolittle
33. Public Enemy - Fear of a black planet
32. Smashing Pumpkins - Mellon collie and the infinite sadness
31. David Bowie - Ziggy Stardust
30. REM - Automatic for the people
29. Primal Scream - Screamadelica
28. Led Zeppelin - 4
27. White Stripes - White blood cells
26. Rolling Stones - Exile on Main Street
25. Coldplay - Parachutes
24. Jeff Buckley - Grace
23. Dr Dre - The chronic
22. Oasis - Morning glory
21. Pink Floyd - Dark side of the Moon
20. Lauryn Hill - Misseducation of Lauryn Hill
19. Guns n Roses - Appetite For Destruction
18. Manic Street Preachers - The Holy Bible
17. Madonna - Ray of light
16. U2 - Joshua tree
15. Beatles - Sgt Pepper's
14. The Clash - London calling
13. The Smiths - The queen is dead
12. Red Hot Chilli Peppers - Californication
11. Nirvana - In utero
10. U2 - Achtung baby
9. The Strokes - Is this it?
8. Oasis - Definetly maybe
7. The Stone Roses - The Stone Roses
6. Sex Pistols - Never mind the bollocks
5. Eminem - The Marshall Mathers LP
4. Radiohead - The bends
3. The Beatles - Revolver
2. Radiohead - Ok computer
1. Nirvana - Nevermind
100. Flaming lips – Soft bulletin
99. Beach Boys - Pet sounds
98. AC/DC – Back in black
97. Aretha Franklin – Never loved a man…
96. Ash – Free all angels
95. Portishead – Dummy
94. Outkast – Stankonia
93. Beck – Odelay
92. Air - Moon safari
91. Sly & the Family Stone - There’s a riot going on
90. Soundgarden – Superunknown
89. Ryan Adams – Gold
88. James Brown – Live at the Apollo
87. The Doors – The Doors
86. Foo Fighters – The colour and the shape
85. Wu Tang Clan – Enter the Wu Tang
84. Lou Reed – Transformer
83. Metallica – Metallica
82. DJ Shadow – Endtroducing
81. Elvis Presley – Elvis Presley
80. Stereophonics – Word gets around
79. Depeche Mode – Violator
78. Linkin Park – Hybrid theory
77. TLC – Crazysexycool
76. Spiritualised – Ladies and gentlemen…
75. Badly Drawn Boy – Hour of bewilderbeast
74. Ramones – Ramones
73. Michael Jackson – Thriller
72. Prodigy – Fat of the land
71. Bob Marley & the Wailers – Exodus
70. The Vines – Highly evolved
69. Alicia keys – Songs in A minor
68. The Who – Who’s next
67. Chemical Bros – Dig your own hole
66. Neil Young – Rust never sleeps
65. Specials – Specials
64. Rolling Stones - Let it bleed
63. Red Hot Chilli Peppers – By the way
62. Bruce Springsteen – Born to run
61. Jimi Hendrix – Electric ladyland
60. Joy Division – Closer
59. NWA – Straight outa compton
58. Blur – Parklife
57. Moby – Play
56. Massive Attack – Blue lines
55. David Bowie – Hunky Dory
54. Velvet Underground & Nico - Velvet Underground & Nico
53. Alanis Morissette – Jagged little pill
52. The Stooges – Raw power
51. Kate Bush – Hounds of love
50. Manic Street Preachers – Everything must go
49. Pink Floyd - The wall
48. Fleetwood Mac - Rumours
47. Coldplay - A rush of blood to the head
46. Eminem - Slim Shady LP
45. The Beatles - The white album
44. Rage Against The Machine - RATM
43. Beastie Boys - Ill Communication
42. Pearl Jam - 10
41. Led Zeppelin - Physical graffiti
40. Bob Dylan - Blood on the tracks
39. The Verve - Urban hymns
38. PJ Harvey - Stories from the city, stories from the sea
37. Prince - Sign o the times
36. Marvin Gaye - What's going on
35. Radiohead - Kid A
34. Pixies - Doolittle
33. Public Enemy - Fear of a black planet
32. Smashing Pumpkins - Mellon collie and the infinite sadness
31. David Bowie - Ziggy Stardust
30. REM - Automatic for the people
29. Primal Scream - Screamadelica
28. Led Zeppelin - 4
27. White Stripes - White blood cells
26. Rolling Stones - Exile on Main Street
25. Coldplay - Parachutes
24. Jeff Buckley - Grace
23. Dr Dre - The chronic
22. Oasis - Morning glory
21. Pink Floyd - Dark side of the Moon
20. Lauryn Hill - Misseducation of Lauryn Hill
19. Guns n Roses - Appetite For Destruction
18. Manic Street Preachers - The Holy Bible
17. Madonna - Ray of light
16. U2 - Joshua tree
15. Beatles - Sgt Pepper's
14. The Clash - London calling
13. The Smiths - The queen is dead
12. Red Hot Chilli Peppers - Californication
11. Nirvana - In utero
10. U2 - Achtung baby
9. The Strokes - Is this it?
8. Oasis - Definetly maybe
7. The Stone Roses - The Stone Roses
6. Sex Pistols - Never mind the bollocks
5. Eminem - The Marshall Mathers LP
4. Radiohead - The bends
3. The Beatles - Revolver
2. Radiohead - Ok computer
1. Nirvana - Nevermind
segunda-feira, dezembro 2
Putz! Ontem foi o dia mais quente dos últimos cinco anos, a máxima alcançou 42,4 graus. Agora entendi o porquê de tanta dificuldade em arrastar minha carcaça enferrujada pelos cantos. Por isso, o blog deve permanecer abandonado por mais um bom tempo. É impossível raciocinar com uma temperatura tão alta, fico completamente letárgico. Argh, como faz calor nesta terra esquecida por Deus...
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